Iniciativa Cinturão e Rota da China atinge recorde de 36,5 mil milhões de dólares no Médio Oriente

As ambições de infraestrutura do Golfo estão impulsionando uma nova fase de investimentos chineses na Iniciativa Cinturão e Rota, afirma Christoph Nedopil.

O envolvimento da China em projectos de construção no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative, BRI) no Médio Oriente atingiu, no primeiro semestre de 2026, o valor recorde de US$ 36,5 mil milhões o montante mais elevado registado para um primeiro semestre desde o lançamento da iniciativa, em 2013. O crescimento homólogo situou-se em 98,4%, segundo dados do Green Finance & Development Center, da Universidade de Queensland, na Austrália.

Um semestre de recordes globais

De acordo com o relatório, coordenado pelo investigador Christoph Nedopil, o envolvimento global da China na BRI atingiu, entre Janeiro e Junho de 2026, US$ 49,8 mil milhões em investimento e US$ 76,5 mil milhões em contratos de construção os níveis mais elevados de sempre para um primeiro semestre. O crescimento foi impulsionado por 32 grandes projectos avaliados em mais de mil milhões de dólares cada, um aumento face aos 29 registados no mesmo período de 2025, entre os quais se destacam um projecto ferroviário de US$ 8 mil milhões nos Emirados Árabes Unidos e um investimento de US$ 10 mil milhões no sector siderúrgico do Egipto.

Energia e minerais lideram os investimentos

O sector energético continuou a dominar a actividade da BRI, atingindo um recorde de US$ 36,3 mil milhões, com mais de metade deste valor canalizado, pela primeira vez, para projectos de energia verde eólica, solar, hídrica e de valorização de resíduos em energia. O sector de metais e minerais registou igualmente um máximo histórico, com US$ 21,8 mil milhões, sobretudo em processamento com destaque para a produção de aço no Egipto e de alumínio no Cazaquistão, matérias-primas essenciais para a indústria automóvel e para as redes de transmissão eléctrica.

Os sectores de tecnologia e manufactura também registaram crescimento expressivo, com aumentos homólogos de 11% e 81%, respectivamente, atingindo US$ 17 mil milhões e US$ 6,5 mil milhões. Já o sector dos transportes cresceu pela primeira vez desde 2020, alcançando US$ 18,2 mil milhões, integralmente através de contratos de construção.

Médio Oriente à frente na construção, África na liderança do investimento

Enquanto o Médio Oriente se destacou como a região líder em contratos de construção, a África manteve-se como o principal destino do investimento chinês, praticamente triplicando o valor face ao primeiro semestre de 2025, para US$ 33,5 mil milhões — o valor mais alto de sempre para o continente.

Segundo Nedopil, mesmo num contexto de tensões comerciais lideradas pelos Estados Unidos e de volatilidade nos combustíveis fósseis associada ao conflito no Estreito de Ormuz, prevê-se uma continuação da expansão dos investimentos e contratos de construção da BRI no restante de 2026, com particular incidência no que Pequim designa por “Novos Três” processamento de minerais e minérios, tecnologia de veículos eléctricos e baterias, e energias renováveis.

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