
Abu Dhabi — A XRG, braço internacional de investimentos da Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), está em negociações preliminares para adquirir uma participação minoritária no projecto de exportação de gás natural liquefeito LNG Canada, liderado pela Shell, segundo fontes citadas pela Bloomberg e pela agência Reuters, segundo avançou o portal zawya.
As conversações decorrem com a PetroChina, que detém 15% do capital da joint venture LNG Canada Development Inc., e com outros parceiros do projecto, com vista à compra de parte das respectivas participações. Fontes próximas do processo advertem que não há garantia de que as negociações resultem num acordo definitivo.
A Shell detém 40% da LNG Canada, a Petronas 25%, a Mitsubishi 15%, a PetroChina 15% e a Korea Gas Corporation (Kogas) 5%. A PetroChina, maior produtora de petróleo e gás da China, tem vindo a avaliar o interesse pelo seu pacote de 15% desde Julho, com o objectivo de utilizar as receitas da venda para financiar a segunda fase do empreendimento.
A LNG Canada, localizada em Kitimat, na província da Colúmbia Britânica, iniciou a produção em 2025, sete anos após os parceiros terem aprovado o projecto em 2018, com um investimento estimado em 40 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 28,5 mil milhões de dólares norte-americanos). Com uma capacidade anual de 14 milhões de toneladas, é considerada uma das maiores unidades de liquefacção em operação na América do Norte, abastecendo sobretudo os mercados da Coreia do Sul, do Japão e da China.
Os parceiros estão a estudar um projecto multimilionário para duplicar a capacidade da unidade, com uma decisão esperada ainda este ano, segundo a Kogas e a Petronas.
Estratégia de expansão da XRG
A possível aquisição de uma participação na LNG Canada enquadra-se na ambição da XRG de se tornar um dos cinco maiores fornecedores mundiais de gás natural e produtos petroquímicos, após operações nos Estados Unidos, na Argentina e em África. A empresa foi anunciada em 2024 como o veículo internacional de investimentos da ADNOC e tem vindo a consolidar uma carteira global de activos.
Entre as operações recentes, a XRG aumentou a sua participação no projecto Rio Grande LNG, no Texas, adquiriu uma posição num projecto de gás na Argentina, detém participações em instalações em Moçambique e na Ásia Central e adquiriu a produtora química alemã Covestro. Em Setembro, concluiu a aquisição de uma participação no Corredor de Gás do Sul, no Azerbaijão, e assinou um memorando de entendimento com a alemã SEFE para cooperação na cadeia de valor do gás natural e do GNL.
No entanto, no ano passado, a XRG viu-se obrigada a abandonar a planeada aquisição da produtora australiana de gás natural Santos, avaliada em 19 mil milhões de dólares, que teria sido a sua maior operação até à data.
Contexto do mercado global de GNL
O projecto LNG Canada ganhou relevância acrescida para os grandes importadores asiáticos de GNL após o conflito no Médio Oriente ter perturbado os fornecimentos provenientes do Qatar, que no ano passado assegurava quase um quinto do mercado mundial. A instabilidade na região do Estreito de Ormuz poderá atrasar projectos no Qatar, deixando o mercado global exposto a uma oferta mais restrita durante vários anos.
A Shell, que detém a maior participação na LNG Canada, tem indicado que poderá alienar até 75% da sua posição, embora o seu director-executivo, Wael Sawan, tenha afirmado em Abril que a empresa se sente “muito confortável” com a sua participação e que não está necessariamente a olhar para uma redução.
A XRG, a LNG Canada, a Shell e a PetroChina não comentaram oficialmente as negociações até ao momento.