
O Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) defendeu a necessidade de uma maior integração dos agrónomos nos projectos agrícolas, desde a fase de concepção até à execução, monitorização e avaliação, como forma de garantir maior produtividade, sustentabilidade e retorno dos investimentos no sector, segundo avançou o portal JA Online.
Segundo o IDA, o acompanhamento técnico especializado é decisivo para o sucesso das iniciativas agrícolas, sobretudo quando envolvem produtores familiares, cooperativas, associações e pequenas e médias empresas. A presença de agrónomos no terreno permite corrigir práticas, melhorar o uso de insumos, reduzir perdas e aumentar a qualidade da produção.
A instituição considera que os agrónomos devem participar activamente na elaboração dos projectos, na definição das culturas mais adequadas a cada região, na análise dos solos, no planeamento da irrigação, no controlo de pragas e doenças e na gestão pós-colheita. Defende igualmente o seu envolvimento na ligação entre a produção, a transformação e a comercialização, no âmbito da abordagem “do campo ao mercado”.
Para o IDA, a ausência de assistência técnica é uma das principais causas do insucesso de muitos projectos agrícolas, que dispõem de financiamento, terras e mão-de-obra, mas não conseguem alcançar os resultados esperados por falta de acompanhamento especializado.
A instituição anunciou que pretende reforçar a colocação de agrónomos nos municípios e nas zonas de maior potencial agrícola, em articulação com os governos provinciais, as escolas de formação agrária e as universidades. O objectivo é aproximar o conhecimento técnico dos produtores e criar equipas permanentes de apoio às cadeias de valor prioritárias, como o milho, o feijão, a soja, o café, a mandioca, a batata e a horticultura.
Além da colocação de técnicos, o IDA defende a formação contínua dos agrónomos, o intercâmbio de experiências e a utilização de novas tecnologias, como sensores, sistemas de informação geográfica e aplicações móveis de apoio à decisão. A capacitação deve abranger igualmente os produtores, para que possam aplicar correctamente as recomendações técnicas.
A integração dos agrónomos deverá ainda ser articulada com os mecanismos de financiamento agrícola, designadamente as linhas do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC) e da banca comercial. O IDA entende que o crédito deve ser acompanhado de assistência técnica, de forma a reduzir o risco de incumprimento e a garantir a sustentabilidade dos projectos.
Entre os desafios apontados estão a falta de agrónomos em algumas localidades, a dificuldade de mobilidade nas zonas rurais, a ausência de incentivos para fixar técnicos no interior e a carência de meios de trabalho, como laboratórios, equipamentos de campo e transporte.
O IDA reafirmou o compromisso de trabalhar com os diferentes intervenientes do sector agrícola para que os agrónomos sejam reconhecidos como parceiros essenciais na execução dos projectos e não apenas como recursos complementares. A meta é contribuir para o aumento da produção nacional, a segurança alimentar e a diversificação da economia angolana.
Com esta abordagem, a instituição espera que os projectos agrícolas passem a ser planeados e executados com maior rigor técnico, gerando mais emprego, mais rendimento para as famílias e melhores resultados para o país.