
O Sultanato de Omã está a intensificar o investimento no sector mineiro, deslocando o foco da fase de prospecção para o desenvolvimento de projectos capazes de gerar valor económico e industrial acrescentado com destaque para o cobre, o ouro e outros minerais estratégicos, segundo avançou o portal zawya.
Parceria para exploração de cobre em Al Batinah Norte
É neste contexto que surge o projecto de desenvolvimento de cobre na província de Al Batinah Norte, resultado de uma parceria entre a Minerals Development Oman (MDO) e a cazaque Solidcore Resources. A iniciativa assenta num extenso programa de exploração cujos resultados preliminares a MDO classifica como promissores.
Segundo dados da empresa, a escolha do local seguiu-se a um programa plurianual de prospecção que cobriu levantamentos geofísicos e geoquímicos numa área de cerca de 17.000 km². Nos últimos dois anos, uma zona mais restrita de aproximadamente 84 km² foi submetida a perfuração exploratória, com resultados que apontam para boas extensões minerais.
Fahd al Adi, CEO de Suporte Corporativo e Sustentabilidade da MDO, sublinha que a parceria visa “acelerar o ciclo de projectos de mineração, desde a exploração e perfuração até à produção”, aproveitando a experiência global da Solidcore Resources. Segundo Al Adi, a MDO espera beneficiar do know-how da parceira na exploração de depósitos de ouro e cobre, o que aumenta a probabilidade de descobrir reservas economicamente viáveis e contribui para o desenvolvimento de técnicas de processamento de minérios mais complexos.
Menos risco, mais viabilidade
Do ponto de vista do investimento, a entrada de um parceiro especializado reduz os riscos técnicos típicos das fases iniciais de projectos mineiros. A transição de indicadores geológicos favoráveis para reservas comprovadamente viáveis exige investimentos avultados em perfuração, avaliação geológica, testes mineralógicos e estudos de viabilidade etapas em que a experiência da Solidcore Resources pode fazer diferença.
Um sector em crescimento
A aposta ganha relevância à luz da estratégia do governo omanita de reforçar o papel da mineração na diversificação económica do país. De acordo com o Ministério de Energia e Minerais, Omã dispõe de recursos significativos de cobre, crómio, gesso, calcário, manganês e sílica, entre outros, fazendo da mineração um dos pilares da diversificação das fontes de receita e da atracção de investimento privado em exploração, extracção e indústrias associadas.
Os números de 2025 ilustram essa trajectória: os investimentos no sector ultrapassaram os RO 105 milhões, com a assinatura de seis novos contratos de concessão, elevando para 28 as áreas de concessão mineira activas, geridas por 13 empresas. As exportações de concentrados de cobre totalizaram cerca de 95.000 toneladas, a produção mineira atingiu aproximadamente 65 milhões de toneladas e as vendas rondaram os 60 milhões de toneladas, num valor próximo de RO 159 milhões.
Estes dados mostram que o investimento na mineração omanita deixou de se limitar ao levantamento geológico, passando a configurar uma actividade produtiva e exportadora consolidada o que reforça a importância de novos projectos de cobre na criação de recursos produtivos e receitas de exportação adicionais.
Porquê o cobre
O cobre ocupa um lugar central na estratégia mineira do Sultanato, não só pela presença de depósitos históricos no país, mas também pela procura global crescente do metal, essencial para redes eléctricas, energias renováveis, veículos eléctricos e infra-estruturas.
A plataforma Invest in Oman lista diversas oportunidades no sector exploração, extracção, processamento, refinação e manufactura e aponta cerca de US$ 260 milhões em investimentos alocados a projectos de cobre, gesso e cromite. O Sultanato destaca ainda mais de 30 minerais comercialmente viáveis e mais de 300 locais com potencial, apoiados pela infra-estrutura industrial de Sohar e Duqm.
Expansão da base de investidores
O Ministério de Energia e Minerais tem trabalhado para alargar a base de investidores nacionais e internacionais, disponibilizando novas áreas de concessão e dados geológicos. Depois de propor quatro áreas de concessão em 2025, o Ministério está, em 2026, a preparar mais três áreas de concessão e três locais para investimento público. Paralelamente, a digitalização das operações do sector foi concluída através da plataforma “Taqa”, com o objectivo de aumentar a eficiência, a transparência e agilizar os procedimentos de investimento.