
A Saudi Aramco está a preparar uma reorganização interna que deverá resultar na criação de uma divisão autónoma dedicada ao gás natural, segundo fontes do sector citadas pela imprensa especializada. A medida, ainda não confirmada oficialmente pela petrolífera estatal saudita, faz parte da estratégia de expansão da empresa no mercado global de gás e de reforço da sua posição enquanto fornecedor energético diversificado, segundo avançou o portal zawya.
De acordo com as mesmas fontes, a nova divisão deverá agregar as actividades de exploração e produção de gás, processamento, transporte, armazenamento e comercialização, incluindo os projectos de gás natural liquefeito (GNL). A estrutura permitiria maior agilidade na tomada de decisões e uma gestão mais integrada de uma carteira que tem vindo a crescer rapidamente.
A criação de uma unidade específica para o gás sinaliza a prioridade que a Arábia Saudita atribui a este recurso, num momento em que o reino procura reduzir a queima de gás associado à produção de petróleo, diminuir a dependência de importações e afirmar-se como exportador relevante de GNL. O campo não convencional de Jafurah e a expansão do Sistema Mestre de Gás são alguns dos projectos que sustentam essa ambição.
A Aramco tem afirmado publicamente que pretende aumentar a produção de gás natural de forma significativa até 2030, com o objectivo de libertar mais petróleo para exportação e de alimentar a indústria nacional e a rede eléctrica. A empresa tem igualmente firmado acordos internacionais no sector do GNL, ampliando a sua presença em mercados como os Estados Unidos e a Ásia.
A reorganização deverá ser anunciada nos próximos meses, segundo as fontes, embora não esteja definido um calendário oficial. A Aramco não comentou, até ao momento, a informação. Analistas consideram que a medida poderá melhorar a eficiência operacional e facilitar parcerias estratégicas, num mercado global de gás cada vez mais competitivo.
Se confirmada, a nova divisão representará uma mudança estrutural na organização da maior petrolífera do mundo e reforçará a aposta da Arábia Saudita no gás natural como pilar central da transição energética e da diversificação económica do reino.