Cuvelai afirma-se como novo pólo de desenvolvimento produtivo

Vista parcial da barragem do Calucuve

Em declarações a propósito da inauguração dos projectos hídricos pelo Presidente da República, João Lourenço, o administrador disse que com estes investimentos na água o Cuvelai fortalece o seu estatuto de celeiro sustentabilidade económico da região, segundo avançou o portal Angola Press.

Destacou que os empreendimentos possuem grandes capacidades de armazenamento e transferência de águas nas localidades, através dos canais e chimpacas construídas num percurso de 181 quilómetros, permitindo a dinamização da agropecuária.

Fez saber que o município dispõe de solos fértil e clima adaptáveis a qualquer tipo de cultura agrícola, daí ser considerado o celeiro da província, devido às grandes produções de cereais como o massango, massambala, milho e gengibre.

O responsável sugeriu a construção de uma escola agrária para dotar os jovens locais de técnicas, métodos e práticas de cultivos da terra, para optimizar a produção e garantir a segurança alimentar.

Reconheceu que,  com as infra-estruturas hídricas, já é visível os ganhos no domínio do comércio com a criação de um mercado informal no Ndúe, onde a população adquire os bens de primeira necessidade, ao invés de percorrer 90 quilómetros até a sede de Mukulongodjo.

Germano Nambalo sublinhou a necessidade dos empresários do ramo da hotelaria investirem em infra-estruturas para albergar os turistas nacionais e estrangeiros interessados em conhecer os locais nos momentos de lazer.

As barragens do Ndúe e de Calucuve constituem dois dos cinco projectos estruturantes integrados no Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), em execução desde 2019, sob supervisão do Executivo angolano.

Localizada a 97 quilómetros da sede comunal de Mukolongodjo, no município do Cuvelai, a Barragem do Ndúe abrange igualmente os municípios de Chissuata e Cafima e deverá beneficiar, numa primeira fase, cerca de 55 mil habitantes e 60 mil cabeças de gado.

A infra-estrutura possui 32,80 metros de altura e 1.500 metros de comprimento, com capacidade para armazenar 170 milhões de metros cúbicos de água. Dispõe ainda de um canal adutor com 75 quilómetros de extensão e 15 chimpacas.

O sistema foi concebido para servir diversos fins económicos e sociais, beneficiando as populações, a agricultura e a actividade pecuária ao longo do canal, além de criar empregos directos e indirectos, sobretudo para os jovens.

Por sua vez, a Barragem de Calucuve, situada a 34 quilómetros da comuna de Mukolongodjo, no município do Cuvelai, deverá beneficiar mais de 80 mil habitantes e cerca de 200 mil cabeças de gado.

Com 31,60 metros de altura e 2.184 metros de comprimento, a infra-estrutura tem capacidade para armazenar aproximadamente 141 milhões de metros cúbicos de água e dispõe de um canal adutor de 240 quilómetros, com 22 chimpacas.

As obras de construção das barragens do Ndúe e de Calucuve tiveram início a 28 de Outubro de 2021, com o lançamento da primeira pedra pela então ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira.

Os dois projectos estão vocacionados, entre outras finalidades, para reduzir a escassez de água na bacia do Cuvelai, reforçar o abastecimento às populações e ao gado, garantir a segurança alimentar e fortalecer a actividade agrícola.

As infra-estruturas deverão igualmente contribuir para dinamizar a economia local, através da criação de oportunidades de emprego, da mitigação de doenças associadas à escassez de água e da promoção de actividades turísticas, além de favorecer a reabilitação e a melhoria de equipamentos públicos.

A expectativa é que as barragens desempenhem um papel fundamental no combate à seca que afecta ciclicamente as populações da região Sul de Angola, ao mesmo tempo que criam condições para um desenvolvimento socioeconómico mais sustentável.

De forma geral, o PCESSA visa reforçar o abastecimento de água às populações e apoiar o desenvolvimento da agricultura nas províncias do Cunene, Huíla, Namibe e Benguela.

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